sábado, 1 de setembro de 2012

MIGUEL, O PRÍNCIPE DOS EXÉRCITOS CELESTIAIS!


A história da Criação, com todos os seus desdobramentos, até à consumação dos séculos, que ainda está por vir, não teria sentido sem a aparição, em refulgente glória, do mais vultoso ser de luz em toda a cadeia angélica, da qual surgiram os Serafins, os Querubins, os Tronos as Dominações, as Potestades, as Virtudes, os Principados, os Arcanjos e os Anjos, na densidade espiritual da augusta morada de Elohim: Miguel, "Aquele que é como Deus?" ; o líder insuperável das hostes angelicais; o príncipe dos exércitos do Altíssimo; o guerreiro - mor entre os arcanjos poderosos, e a própria realeza em luminosidade colossal a ser gerado pela vontade suprema do El-Shadday.


Envolto no mistério que emana da própria divindade suprema, Miguel é uma entidade fundacional, pois, ao lado de Deus - O Todo Poderoso - coadjuva aquele, que é chamado de Alfa e Ômega na formação de todos os mundos, constituindo-se, por este turno, na testemunha singular de todos os atos de Iavé, desde a proclamação, nas alturas, da criação do Universo, através da ordem primeva dada à Luz, até às dimensões inferiores, onde o poder do Criador estremece os abismos e os vãos eternos da escuridão personificada em trevas abissais. Miguel é a grande baliza do Altíssimo, príncipe dos arcanjos e a essência etérea a liderar os 9 coros de anjos. Dentre os 7 arcanjos, que auxiliam Deus na execução do projeto da Criação bem como o seu acompanhamento e manutenção, Miguel constitui-se na figura central e exerce, no circuito das esferas angélicas, um protagonismo ímpar conferido pelo Altíssimo para o desempenho das grandes tarefas, que compreendem todos os níveis da existência, quer sejam no plano espiritual, quer sejam no plano material.



Virtuoso em sua natureza luminescente, Miguel possui características singulares, que o elevam acima de todos os arcanjos na linhagem magnífica dos seres angélicos. Sua posição de liderança diante do exército de anjos, conferindo-lhe a condição prima e inigualável, o torna, desse modo, a força imbatível, que está à frente do trono de Deus, guardando-o e protegendo-o contra qualquer ataque vil, que possa ser deflagrado nas mais altas esferas divinais. Miguel, o comandante, é, portanto, o guerreiro que não hesita em defender o planalto santificado da deidade, que repousa eternamente em paz e em santidade intocáveis. Cabe a Miguel a permanente vigília dos elementos ígneos, que compõem e integram a morada do Altíssimo, em sua intangibilidade. A saber: o Livro da Vida e o Plano da Salvação - dois sustentáculos do Inefável ao qual ninguém tivera acesso. Assim, mergulhado em um silêncio, que remonta à pré-existência dos seres e das coisas; do universo e dos mundos; das almas e do verbo, Miguel é, com efeito, a segunda visão de Deus, e que, na qualidade de arcanjo fiel, valoroso, leal e, sobretudo, servo, sempre fora a sentinela viva e soberana sobre todas as entidades que circundavam, glorificavam e adoravam o Senhor, em seu esplendor e majestade. A visão ubíqua do arcanjo guerreiro em relação aos eventos que precederam a criação dos Mundos, do Tempo, do Homem, da Vida e da Morte, ratificava o posto de príncipe dos seres de luz na hierarquia outorgada pela inteligência suprema de Deus, e a garantia de que a ordem nos céus seria mantida ininterruptamente.



O espaço no qual Miguel está, e nas esferas pelas quais o poderoso arcanjo transita, denuncia, para além das ortodoxias, o seu traço majestoso e sua origem enigmática dentre todos as entidades etéreas, e que estão a serviço do Altíssimo. O traço marcante e emblemático da  natureza deste arcanjo, de qualidades múltiplas e de poderes ilimitados, é o de se impor sobre as hordas angélicas, ainda que delas o príncipe das milícias celestiais tivesse emergido, o que, per si, denota, de forma incontestável, a singularidade de sua postura igualitária perante os demais anjos, que compõem as miríades infinitas a sobrevoarem os céus e a terra. Miguel é, desse modo, um ser de luz que, à semelhança do supremo Elohim, é dotado do mais profundo senso de justiça e retidão, características necessárias e absolutas para uma entidade que ocupa a posição de chefe dos exércitos e primaz de todos os anjos e arcanjos no rastro infinito da Criação, execute, com destreza e infalibilidade, as tarefas que o Todo Poderoso Deus sempre lhe delegou. Outrossim, o fato de Miguel ter sido alçado ao patamar de guardião dos símbolos sagrados, intangíveis por todas as inteligências etéreas, comprova a tese de que a obediência ao Eterno e a sua fidelidade inabalável àquele transformaram-no no elo de fogo inconsumível entre Deus, seu Pai, os anjos, seus irmãos, e, tardiamente, os mortais, representados, inequivocamente, pela criação do Homem, que, por sua vez, tornara-se a personagem principal na intrincada estória, que compreende os mundos superiores e os mundos inferiores; do barro que recebera o fôlego da vida, e que se corrompera com o evento conhecido biblicamente por pecado original, à humanidade dos dias apocalípticos,  que testemunhará, nos ares, a terrífica batalha do Armagedom.



Cúmplice dos atos da majestade divina, que é o próprio Deus, em sua essência infinita e soberana, o silêncio de Miguel é a sua marca distintiva dentre todos os anjos. O príncipe da guarda celestial e o primeiro entre os 7 arcanjos fundacionais fora criado por Deus para o serviço impecável, aliado ao senso profundo de observação de tudo que circundava a esfera da deidade. Ser sentinela permanente e ser temido por todos os seus subordinados significavam o esvaziamento de sua vontade na condição angélica para que ele, com seu corpo escultural, fenomenal; talhado para a guerra, e, sobremaneira, único nas esferas angelicais, fosse um portal, através do qual a Luz de Deus atravessaria a sua silhueta translúcida e resplandeceria, permanentemente, transformando-o na entidade principal, que veiculava a voz do Altíssimo em brados descomunais. Esta condição, única no mundo espiritual, também rendera a Miguel a oposição que sofrera, no embate imemorial, quando o poderoso Lúcifer o enfrentou na hedionda peleja celestial entre os anjos liderados pelo esplendoroso querubim de 12 asas, cuja legião, tão rebelde quanto ele, fora derrotado e expulso das moradas divinais, e aquele que, em essência, é a duplicação de Deus no mundo angélico. O sentido do nome Miguel, em uma interpretação mais vertical, "Aquele que é como Deus?" constitui-se na chave fenomenológica, que revela, indubitavelmente, a posição do príncipe das milícias celestiais na hierarquia angelical. A significação de seu nome, em verdade, é um questionamento contundente e visceral, pois não há, jamais houve e tampouco haverá, seja na terra e nos subterrâneos das trevas densas e prisionais, onde estão os habitantes da escuridão, seja nos céus, em todas as suas gradações de luz, até alcançar a morada de Deus, nenhuma entidade que poderá igualar-se a Jeová. Na ausência de um ser, com o poder, com a força, com a grandeza infinita, e sobejamente imensurável, que são as características da deidade, que são o Fim e o Princípio de Si, na Eternidade, Miguel é este ser, que, no silêncio da própria Luz, rasga o Infinito, portando em seu plexo o fôlego da divindade; a palavra ígnea, que é ordenança viva dos lábios do Criador, e que, ao ser pronunciada, estremece os pilares invisíveis que sustentam tudo e  que são referências para todos; as esferas etéreas, os seres de luz, os mundos, os universos; a luz e as trevas, que se enfrentam voraz e incansavelmente. A luz prodigiosa semeou o surgimento rotundo das trevas, que, paradoxalmente, engendrou nas potestades a disputa pelo poder, a cobiça, a inveja, o ciúme e o ódio; e o que era para ser a unidade transformou-se na divisão. O elo de fogo fora partido para sempre; e ao desferimento das lâminas incandescentes, assistiu-se a batalha entre o Bem e o Mal. Do lado do Criador, o imponente e invencível Miguel; contra O Grande Eu Sou, o magnificente e imbatível Lúcifer.



As duas forças, imperantes e antagônicas, predominavam nos céus e protagonizaram as cenas mais dantescas que o mundo angélico testemunhara: o embate violento e interminável entre Miguel, o destemido guerreiro e protetor dos emblemas sagrados, e Lúcifer, o seu irmão, o mais poderoso e luzidio de todos os anjos. É imperioso, portanto, afirmar que os laços eternos, que unem as duas entidades, dotadas de porte e forças imensuráveis, são indissociáveis por serem  labaredas vivas, que foram geradas por Deus, e, desse modo, jamais poderão ser desfeitos. Há nesta união, a fusão da luz primordial com a energia angélica, que, emanada da deidade, atravessou o Infinito a fim de cumprir a ordem de Iavé na criação dos mundos, na organização das forças cósmicas e no equilíbrio de todas as virtudes. Assim, filhos inegáveis da chama ardente, da qual saíram como línguas de fogo, inteligentes e autônomas, a luz que neles há, com efeito, é o código indecifrável do Criador, que cunhou em seus corpos espirituais a leis da Eternidade e os seus fenômenos intangíveis. Uma união, no plano supra-angelical, que remete à origem da teogonia quando, simbioticamente, o estado puro de energia em expansão formava a essência singular. Tudo era fogo; energia inimaginável em profusão a expelir mares ígneos intensos dos espasmos de Deus, que, de Si, arrancara todos os seus filhos, todos os seus descendentes diretos, todas as inteligências, que, em momento posterior, seriam os desbravadores dos limites dos universos, pautados pela soberana vontade do Altíssimo. Miguel fora, assim, criado, à semelhança de Lúcifer, em cujas estórias há mais verdades veladas do que sentenças luzidias e claras. Sobre a perfeição e a incorruptibilidade do corpo astral, no qual Miguel se expressa como o mais fiel dos arcanjos, há, indubitavelmente, um estigma, que o mantém ligado, permanentemente, à divindade suprema, em toda sua magnitude, mas que, geneticamente, forja a sua conexão com o seu oposto: o corrompido e infiel Lúcifer, que, na luta dos dias intermináveis, maculou a glória excelsa e imponderável de Deus. Miguel, por ser no plano etéreo a personagem ocular, que, em silêncio profundo, vira a Deus como nenhum outro anjo, arcanjo, serafim ou querubim, faceara, também, e sem correr risco de ter sido aniquilado por Aquele, o plano augusto do Criador, ao qual somente o Senhor dos Senhores tinha acesso; e obtivera, para além do conhecimento de todos os segredos da magna divinidade, a confiança e a força necessárias para enfrentar qualquer entidade que ousasse atravessar os limites estabelecidos pelo Eterno, além de intervir na roda do tempo, ao emergir na cena que divisou, para sempre, o mundo espiritual do mundo material; aquele que viria a coroar os sonhos do próprio Deus. A saber: o Homem, a mais perfeita obra da Criação. Um ser substancialmente diferenciado dos anjos, mas que compartilhou com os seres de luz, na essência, a imagem e a semelhança da deidade. Assim, a visão de Miguel é de uma águia de fogo, que ultrapassa os portais do Tempo para proteger não somente os elementos portentosos e dogmáticos da Inteligência Absoluta, colunas sagradas que firmam os átrios celestiais, mas, também, os fundamentos da Criação, em toda sua expressão e extensão, margeados pelo sopro da Eternidade.



Miguel, um arcanjo que irrompe a natureza ígnea por não gozar da proximidade de Deus, em princípio, segundo a hierarquia angélica, paradoxalmente, é o senhor entre todos os arcanjos, que, por conseguinte, devotam-lhe a reverência por sua magnitude ímpar no mundo celestial. O ser de luz, que carrega em seu dorso luminescente a máxima QUEM É COMO DEUS?, aparece triunfante e irrefutavelmente como a própria extensão de Deus, que o eleva, em glória e majestade, como o arcanjo das grandes missões, para além do posto de comandante primeiro no exército celestial, seja nos céus, seja na terra. Quem pode desafiar o poderoso arcanjo, que, em seu profundo silêncio, comunga da verdade inenarrável do Altíssimo? Na extensão da deidade, a dualidade e a unidade se conjugam de forma unicelular e plasmática. Na divisão essencial das naturezas singulares, a de Deus, o supremo pai, que está acima de todas as criaturas, e a do anjo submisso e obediente, a maior virtude que um subordinado de Deus deve ter para atingir  a consagração e a santificação máxima nas hordas angélicas. As qualidades que são torneadas pelo primado da perfeição conferem a Miguel não somente a força de seu nome como o representante mais legítimo e genuíno da vontade do Altíssimo, em toda sua glória e esplendor, mas a transferência de poder contínuo de Iavé, que, envolvido pelo mistério de ser o próprio Deus, não perde a sua energia avassaladora e fundadora de tudo que é, de tudo que foi e de tudo que sempre será. Antes, Iavé, ao conceder o poder ilimitado ao Príncipe dos Arcanjos - Miguel - transforma-o no arauto principal nos altos céus e nos baixos mundos. Miguel proclama, em nome da glória excelsa do Elohim, a paz universal entre os seres angelicais, em suas miríades e esferas luzentes, e os homens e mulheres, na terra, mas, também, declara, sob a autoridade do grande El-Shadday, a guerra, com grande alarido e tremor.


Os domínios do arcanjo Miguel transpõem as fronteiras invisíveis do mundo angélico. Por ser a principal entidade a representar a vontade de Deus, em todos os seus níveis, cabe ao príncipe das milícias celestiais a honrosa missão de proteger a Humanidade contra os ataques vis das legiões comandadas pelo rebelde e medonho Lúcifer. A exuberante luz, que emana das asas deste arcanjo extraordinário, invade as esferas angélicas e atinge a Terra, trazendo a retidão, a equidade e a verdade augusta do Eterno. Assim, Miguel, em sua vestimenta de fogo, portando a espada da justiça e a balança do próprio juízo, lidera seu exército magnífico e revela a todos os seres da Criação as máximas inconfundíveis de Iavé. Deus presentifica-se nas atitudes de Miguel, que o representa de forma impecável. Sua incorruptibilidade diante do Altíssimo é sinônimo de força. Força latente e indispensável para a proteção da Terra, do Homem e da natureza perfeita que Deus criou sob a ordem onipotente do Fiat Lux. Força magistral que, um dia, transbordará o seu corpo diáfano, e que elevará as potências divinas a níveis insuportáveis para o mundo físico e hediondo para o mundo espiritual, pois "Aquele que é como Deus?" e seus paladinos confrontarão, indelevelmente, o maculado Lúcifer e sua dantesca falange, que, decaído, desferirá seus últimos ataques contra Miguel, seus militantes e, sobretudo, Deus, encerrando, definitivamente, o capítulo da grande guerra, que será travada nos céus entre os herdeiros da fidelidade e os descendentes da rebeldia, como está descrito em Apocalipse, o Livro das Revelações. A saber:

7. E houve batalha no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão; e batalhavam o dragão e os seus anjos,

8.  mas não prevaleceram; nem mais o seu lugar se achou nos céus.

9. E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada de Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.
Apocalipse 12 : 7 - 9.


Miguel e seus guerreiros de luz preparam-se para os dias inglórios quando a Graça será dissipada na Terra e o juízo divino consumará o que Deus determinara nos céus, em tempos primevos, e o que os profetas revelaram na Terra à Humanidade, desde que o mundo vestiu-se de trevas, ao desobedecer às ordens do Altíssimo. Tudo, ainda, jaz no maligno, e o Príncipe das Potestades do Ar governa soberano a terra manchada pelo pecado, pela perdição e pela desgraça, aparentemente eternas.


Profecias existem não para serem esquecidas, mas, sim, para serem lembradas, pois, um dia, elas se cumprirão, seja para o Bem ou seja para o Mal.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

LÚCIFER, O PORTADOR DA LUZ - Parte I





Cena 1:
- Eu porto a Luz!
Cena 2:
- Eu sou o mais poderoso dos anjos em toda Criação!
Cena 3:
Eu sou o governante dos mundos!
Cena 4:
- Quem ousa me enfrentar?


Em uma conjunção digna de uma grande epopeia, a mais monumental de todas, antes da criação dos mundos, as possíveis declarações, acima elencadas, com efeito, marcaram, para sempre, o destino das divindades celestiais, e, por conseguinte, das várias humanidades que povoaram a Terra desde o episódio hediondo marcado por uma tentativa de conspiração, quando uma legião de anjos rebelou-se contra Deus, que pairava majestoso sobre o tempo zero.
A voz que proclamara poder, arrogância, emulação e rebeldia fora estridentemente desferida nas mais altas esferas angelicais pelo mais perfeito, altivo e belo de todos os seres: um anjo, da classe exuberante dos querubins - LÚCIFER - o Portador da Luz.



O nome Lúcifer, que é formado pelas palavras latinas Lux, lucem - Luz - e fer, de ferre, o que porta,  aquele que carrega, traz; é o distintivo magno atribuído ao primeiro ser criado depois do próprio Deus, no tecido intangível da Eternidade. Desse modo, evidencia-se, de forma inconteste, a natureza e a figuração desta entidade singular, e que, indubitavelmente, é o mais temível e o mais poderoso de todos os anjos, cuja saga remonta às hordas primordiais, ao Fiat Lux e à soberania indevassável do Altíssimo em sua glória inigualável.


Criado a partir do fogo consumidor de Deus, Lúcifer nasce da labareda que mantinha a deidade refulgente e suspensa no Infinito quando o espírito solitário do Altíssimo movia-se sobre o Nada  antes da fundação dos mundos em essência misteriosa, singular. Saído, portanto, do estado ígneo do próprio Deus, e por vontade suprema de Jeová, Lúcifer é, de forma cabal, o primígeno do Senhor, no plano etéreo, onde as formas, absolutamente diáfanas e espirituais, desconheciam, ainda, a densidade dos universos, dos mundos e dos entes. O querubim mais poderoso das hostes angelicais é filho nascido do estado da glória de Deus, o Todo Poderoso, cuja luz irrompeu em todas as fendas ocultas e dormentes no vasto universo, que acolheu a vida, com todas as suas formas manifestas.



As narrativas sobre Lúcifer estão envoltas em muitos mistérios, pois, apesar das miríades que plasmam as mais altas abóbadas celestiais, este querubim desempenhou papel fundamental ao lado do supremo Deus, que lhe confiou o zelo e a administração dos mundos, todos sob seu governo, então intocável, até à corrupção de si, quando inflamou seu coração com o ciúme dantesco e a cobiça odiosa - fato que, paradoxalmente, torna a estória do mais reluzente dos anjos no grande élan, que entrelaça o mundo superior com o mundo inferior. Céus, Terra e o famigerado Abismo entrecruzam-se e o Homem é, involuntariamente, o elo da discórdia entre o único anjo, que tinha o privilégio e o direito de estar diante do Altíssimo, e o Senhor dos Senhores; o princípio e o fim de todas as coisas - o impronunciável, o sublime, o Eterno e soberano Deus.


Lúcifer é dotado de 12 asas brilhantes, e o porte magistral de seu corpo alado destoa dos demais anjos, o que lhe confere o lugar exemplar, que possuía, no berço da Criação. Testemunha etérea dos atos divinos do Criador, o querubim foi ungido por Deus logo ao ser criado. O fogo consumidor, que o gerou, deu-lhe a maior característica no mundo angélico: a luminescência. É plausível pensar, portanto, que, nos sulcos da Eternidade, o estado de luminosidade, que espargia para além do infinito, mantinha um equilíbrio harmônico presente no trono de Deus e nas esferas espirituais que Dele emanavam - a morada dos anjos. Esta simetria de luz, força e poder, com efeito, era consagrada e perceptível; e, por conseguinte, imbatível pela posição que ocupava o príncipe dos anjos na escala angelical, pois, Lúcifer, era nada mais nada menos que o regente do coro celestial, que se prostrava permanentemente diante do Altíssimo para adorá-Lo em toda sua glória e magnificência.


O fascínio pela estória de Lúcifer e a legenda sedutora em torno deste querubim ungido povoam, atemporalmente, as mentes de todos os mortais, pois, ao contrário de outros seres angelicais, que parecem não possuir uma narrativa própria e distintiva no mundo angélico e na esfera suprema do poderoso Deus, o príncipe das potestades do ar goza, para o bem ou para o mal, de um lugar único na trajetória dos tempos imemoriais. Outrossim, o filho do fogo primordial transformara-se, indiscutivelmente, na personagem nuclear de uma trama inominável, onde todas as entidades celestiais estavam presentes antes da criação do mundo e do Homem, e, protagonizara o desastre apoteótico ocorrido na Eternidade quando, no embate colossal entre sua legião rebelde e os anjos de Elohim, o Senhor dos Exércitos, o seu plano de destronar Deus falhara fragorosamente. Após a derrota memorável, Lúcifer, em queda livre, ao rasgar as esferas angelicais e tombar na terra como estrela cadente, perdera, para sempre, não somente o posto de primeiro ser de luz a governar os céus, o universo e os mundos, imediatamente abaixo do Altíssimo, mas a condição de, um dia, poder retornar majestoso para estar ao lado de Deus, novamente. Anjos não se arrependem, e o fim de todos que estiveram na grande rebelião tem um nome: sheol (o lago de fogo eterno).


Líder da maior revolução sobre a qual diversas legendas míticas são descritas, de forma inconteste, o mais belo dos seres, no plano celeste, é o autor da cena caótica, que testemunhara a ordem máxima de Deus desabar tal qual o seu corpo luminoso; e arrastar juntamente consigo seus anjos malévolos para a Terra, teluricamente tecida e criada pelo Senhor dos Senhores - o  Todo Poderoso. A conjunção imperfeita, orquestrada por Lúcifer e seu exército portentoso - um terço das hostes angelicais -, vaticinou o início do seu próprio fim, atingindo as leis da Criação, que são imutáveis, e determinando a reorganização das forças imperantes no mundo após o evento extraordinário, que fora o Fiat Lux. Nos termos do universo, as trevas densas e insuperáveis; nos limites infindáveis da Luz, a face de Deus, que, implacavelmente, expulsou o segundo ser cósmico a receber o fôlego divino para além do Abismo, em suas zonas dolentes, imperecíveis e eternas.


A aparição de Lúcifer, na cena que antecedeu o princípio de todas as coisas, onde a predisposição anímica estava permanentemente suspensa sobre o nada absoluto, a despeito do episódio da discórdia celestial, provocou a cisão da própria unidade da deidade, que, uníssona e unívoca, reinava soberana ad inifinitum sem testemunhar a turbulência e os ares da traição. A divergência entre as forças monumentais geradas da própria Luz formou a substância da proto-história da humanidade, segredo de Deus e projeto modelar, que desencadeou o nascimento do Abismo - pai universal das trevas postas nos limites do Universo, esfericamente afastado das zonas luminescentes e da presença do Altíssimo. De um lado, o excelso e o inefável, o Alfa e o Ômega, mergulhados no mistério exponencial da essência, pois o Eterno e a Eternidade conjugam-se de modo singular antes, durante e depois. Do outro lado, o temível, o poderoso e o destruidor dos mundos, que, um dia, irradiou nos céus dos céus o esplendor e o ruflar de suas asas ígneas, múltiplas e descomunais. O querubim ungido fora um e o ser movido pela cobiça, desafortunadamente, tornara-se outro. Da unção à escuridão, a trajetória solitária de um anjo.


A estória dos céus, da existência de Deus, da criação de todas as coisas, visíveis e não - visíveis, e, principalmente, do surgimento do Homem, a partir da massa amorfa, que é o barro, só tem sentido real  a  partir do evento colossal, que fora o cisma, a dividir os planos etéreos em mundo superior e mundo inferior. De um lado, a luz fundadora, que é o Senhor dos Senhores - Iavé - e a luz fundada, que é Lúcifer, o segundo ser na linhagem divina das entidades eternas. Assim, desde o início dos tempos quando a geração pré-adâmica, que assistira ao confronto das forças primevas, no berço da eternidade, também testemunhara a obra prima de Deus, o Homem, sua efêmera perfeição, e, por conseguinte, sua queda através do fatídico advento do pecado. O plano da criação, neste sentido, estivera condenado ao fracasso, pois os pilares augustos do Eterno ainda tremiam por causa da cobiça, da soberba, do ciúme, do orgulho, da inveja, da ira e da traição. Suportar a ideia da existência de um ser à imagem e semelhança de Deus, indubitavelmente, fora a maior pena que sobrepesou na consciência de um querubim, que viu, na corrupção de si, a sua sentença aniquiladora vaticinada pelo Pai, o Todo Poderoso. Assim, o filho sentiu-se abandonado pelo próprio pai, e a rejeição acendeu a chama caliginosa da destruição em seus atos aterrorizantes.


O Apocalipse não é a revelação da profecia sobre o fim dos tempos quando o dia do juízo reviverá as cenas dantescas, que macularam, em um passado imemorial, a trajetória da Luz, infinitamente eterna e eternamente infinita. Ao contrário: o Apocalipse emergiu na aurora divina quando o mais perfeito dos anjos saiu das entranhas de Deus para coadjuvá-lo na organização e no zelo das dimensões físicas e etéreas espalhadas pelo Universo. A tinta escarlate do Armagedom ainda não expirou e a guerra angélica  parece interminável.


Na consumação dos séculos, o último confronto; no duelo entre o Bem e o Mal, eis a grande questão: quem vencerá?

quarta-feira, 16 de maio de 2012

DESCENDENTES DA LUZ!

Caríssimos leitores e seguidores dos meus blogues:

Em breve, mais uma nova atração na rede! O título do blogue é tão luzidio e cristalino quanto o tema a ser abordado na rede: os Anjos.

Arcanjo Miguel

Ir além da asa é tocar o mundo sensível no qual a LUZ é soberana, magnificente, pujante; e sua mensagem reluzente traduz a potência inesgotável do Sobrenatural.

Arcanjo Gabriel

Na fronteira final, o traço do humano; para além das densas trevas, que estilizam o universo, a luminosidade desses seres - os ANJOS - que testemunharam, ao lado de Deus, a saga dos primórdios, onde o Nada se transformou em fluido eterno a espargir a vida em todos os mundos, os visíveis e os não - visíveis.

Arcanjo Rafael

Corpos etéreos e corpos densos dividem no espaço da Criação a excelsa vontade do Criador.

Arcanjo Metatron

Em tela aberta, anjos e anjonautas!

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