segunda-feira, 10 de agosto de 2015

GABRIEL, O MENSAGEIRO!


A trombeta angélica da Anunciação
Os céus em glória refulgem diante da grandeza daquele que foi escolhido pelo Altíssimo para ser o seu mensageiro principal na terra: Gabriel, o arcanjo, cujo nome, de origem hebraica - Gavri'el - significa o "Homem de Deus". O epíteto em si revela, para além da essência da deidade, a entidade que, misteriosamente, é um ser proveniente da Luz, mas que recebe o título de Homem. Assim, um paradoxo inexplicável emerge da natureza desse ente espiritual poderoso e que, ao lado de Miguel e Rafael, completa a imponente tríade angelical, cujos nomes e presenças estão registrados nas Escrituras Sagradas. Gabriel, que é agraciado com o honroso predicado, acima citado, é o ser angelical que está mais próximo da Humanidade; e sua aparição na Bíblia, talvez a mais emblemática de todas as passagens, nas quais o mensageiro de Iavé se manifestou em toda sua majestade e esplendor, está cristalizada no evento conhecido  por Anunciação

Gabriel diante de Maria, a agraciada: nascerá o Salvador
Reprodução da obra de Leonardo da Vinci - Anunciação
Portador dos grandes mistérios de Deus para os homens e mulheres de boa vontade, coube a Gabriel a mais importante missão na estória da Humanidade: anunciar à Maria a concepção do filho de Deus. A sua vinda dos altos céus para anunciar a maternidade divina daquela mulher agraciada é considerada no Cristianismo como um dos mais enlevados acontecimentos na trajetória de um povo errante, que viveu desde o Antigo Testamento, esperando o cumprimento da maior de todas as profecias: o nascimento do Messias. Destarte, Gabriel ratifica a sua condição angélica e cimeira, que é a de ser a ponte fundamental entre os dois mundos - o superior, que pertence a Deus, o Todo Poderoso, e o inferior, da ordem de todos os mortais e que jazem no pecado original. Ao transitar nas duas esferas distintas e singulares, o mensageiro celestial tem a primazia de ser a entidade luminescente, que leva a termo os desígnios do Altíssimo, presentificando-se na Humanidade como o único dos arcanjos a quem os seres humanos podem contemplar em toda sua magnificência.

Gabriel, o protetor da Humanidade
Dos sete arcanjos poderosos, na hierarquia dos seres de luz, a serviço do Impronunciável, Gabriel é o que possui o perfil mais delineado e o que mais aparece nas Escrituras Sagradas. Ao ser incumbido da tarefa magistral, que fora a Anunciação, além de ser o anjo que mais se aproxima da Humanidade, em sua tarefa imutável, a essência luminescente, que também significa "DEUS É O MEU PROTETOR!", não obstante ter anunciado o nascimento de Jesus Cristo, Gabriel também apareceu ao profeta Zacarias para vaticinar, da parte do Senhor dos Senhores, o nascimento do profeta dos profetas, o filho de Isabel; aquele que abriria as portas do mundo para anunciar as Boas Novas e prenunciar a vinda irrefragável do Messias, o Salvador: João Batista. De um lado, a virgem, que não tinha sido desposada, ainda, pelo marido, o carpinteiro José; do outro lado, a esposa de um sacerdote, que não creu, e que, apesar de sua idade avançada para ser mãe, ter sido a genitora do maior de todos os profetas e o mais virtuoso dentre todos os homens, que vivera na face da terra. Os céus em uníssono proclamavam a glória de Deus a duas mulheres escolhidas; e dois homens determinariam, para sempre, os novos rumos da Humanidade. João anunciara a vinda do filho do Altíssimo, e Jesus, o Ungido, traria definitivamente a Salvação ao mundo. E as palavras de Isaías, chamado de profeta messiânico, então se cumpriram setecentos anos após a sua passagem pela terra.  

Gabriel e as revelações do Senhor
Guardador dos segredos de Deus, o arcanjo Gabriel é reconhecido exemplarmente pela Humanidade por sua missão única, que não pode ser igualada a nada no mundo angélico nem antes nem após a criação dos mundos, dos seres, dos entes e de todas as coisas. Cabe àquele que compartilha dos planos do Altíssimo com seus filhos na terra o inescusável dever de revelar a Daniel, o profeta apocalíptico, em visões fantásticas e singulares, e num passado distante, o nascimento, a vida e a morte do Messias, e que, nas palavras do enviado do Senhor, o Príncipe e, portanto, o Ungido. Ademais, a emblemática profecia é cristalina e inconfundível, ao afirmar que, após a morte do Salvador, os tempos seriam de conflitos, guerras; doenças, dores, destruição e de desolação sobre a terra. Não há nas Escrituras Sagradas palavras tão contundentes a respeito do mundo antes e depois do nascimento do Messias, reveladas a um homem. Gabriel é, desse modo, para além da anunciação e do nascimento de Jesus Cristo, aquele que, da parte de Deus, revela as palavras de uma época, no futuro da Humanidade, denominada Apocalipse, cuja textura é a trama relevadora do fim de todas as eras. Sua aparição diante do profeta Daniel marca o seu labor como mensageiro do tempo escatológico quando a Nova Jerusalém descerá dos céus; a justiça e a redenção triunfarão sobre as hordas malignas e a glória da segunda casa selará o reinado do Bem e do Amor entre os salvos em Cristo Jesus.

O Homem de Deus
A emblemática figura do arcanjo Gabriel ultrapassou as fronteiras da história humana para se transformar em um ente, que está presente, também, de forma incontestável e enigmática, nas três grandes religiões no mundo: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo. No Islã, Yvrail, como é chamado o mensageiro de Deus, em particular, é incumbido de revelar ao profeta Maomé a maior de todas as verdades, que um homem poderia ter conhecimento: a de recitar os versos, que deveriam ser aprendidos e repetidos, impecavelmente, para que ele, considerado o último profeta, enviado por Deus à terra, anunciasse a Humanidade a palavra sagrada. Obedecendo, portanto, ao arcanjo Gabriel, quando estava em seu retiro espiritual, nas cavernas do Monte Hira, próximo à cidade de Meca - a morada de Deus no mundo - Maomé, um homem virtuoso e irrepreensível, e não um ser divino, como muitos pensavam, proclamara os ensinamentos divinos, preconizando a unidade e a restauração dos princípios e ordenanças celestiais, contidas no Judaísmo e no Cristianismo, e que, segundo o profeta, tiveram sido corrompidas, ao longo do tempo. No Islã, Jesus Cristo, diferentemente da tradição ocidental, que é a encarnação do filho de Deus, fora um dos grandes profetas, que também viera ao mundo para pregação das boas novas provindas dos céus. Segundo Maomé, Alá o teria escolhido por sua fé e retidão, sendo, portanto, um exemplo de homem justo e servo na terra para apregoar que a religião islâmica seria a guardiã de todas as religiões predecessoras; a que formaria, para sempre, o anelo inquebrantável entre a entidade suprema e seus filhos, em um mundo marcado pela perdição eterna a que estava fadado.

Gabriel: o anjo dos segredos ou o segredo dos anjos?
De portador dos segredos incorruptíveis do Altíssimo a anjo dissimulado e traidor, gradativamente, a outra face dessa poderosa entidade tem sido, em leituras e interpretações atualizadas, desvelada, através de muitas estórias e versões sobre o mundo angélico, em princípio; provocando, portanto, investigações oportunas e cada vez mais crescentes a despeito do comportamento e da postura de Gabriel no plano insondável da Criação. A imagem de um arcanjo fiel e sentinela das verdades de Deus, destinadas à Humanidade, vertiginosamente se desfaz, revelando, para o arrepio de muitos estudiosos, um semblante decaído e atormentado de uma criatura, que nutre sentimentos ignóbeis contra o Criador diante de sua missão insubstituível, na linhagem dos seres angélicos, que se corromperam, na complexa teia que compreende as batalhas pelo poder nas mais altas esferas angelicais e nos mundos inferiores. Assim, uma indagação inadiável se impõe: seria, realmente, Gabriel um ser devoto à majestade do Todo Poderoso Deus, cuja confiança era realmente imbatível? A névoa em torno do guardião da vontade augusta do Impronunciável é dissipada pela ideia musculosa de que, como Lúcifer, Gabriel teria engendrado planos e artimanhas nefastas para atingir a pérola da Criação: o Homem. Para além do traçado poético do fingere, é plausível refletir sobre a verdadeira identidade, o comportamento e o papel desse lustroso arcanjo antes da criação dos mundos e após os trabalhos de Deus, quando o Senhor dos Senhores descansara no sétimo dia, segundo a narrativa bíblica, pois a figura imponente de Gabriel aparece como o braço forte de Iavé, que, sob o silêncio avassalador de sua obediência, temor e subserviência, pareceu ter sua voz sufocada por ter sido o eleito do Eterno para conduzir aos homens às ordenanças divinas. Outra reflexão emerge das sombras do silêncio desse arcanjo tão misterioso quanto as palavras que o Senhor lhe confiara em seus átrios impenetráveis. Qual seja: o que movia o âmago desse arcanjo, que, ao ocultar do Criador, de outros arcanjos e até do Homem, a sua grande verdade, estava prestes a revelar, nas esferas angélicas, enigmas terríficos, que colocavam em risco o grandioso plano da Criação? 

Gabriel: o Outro lado da Luz!
Por ser o único dos arcanjos, que vigiava o trono do Altíssimo, como guardião de suas mensagens e cabendo a si o ofício monumental de proclamar os desígnios de Deus à Humanidade, Gabriel era o único ser de luz que detinha em sua natureza a plena vontade do Criador - marca robusta de sua subserviência a Iavé. Desse modo, o poder estava na aura do arcanjo, que, por conseguinte, gozava de posição singular diante dos demais na hierarquia angelical. Tal característica não representava regalias, mas, antes, o peso de sua responsabilidade a intermediar duas esferas distintas: a do Pai, Deus, e a de seus filhos, os homens. Anjo algum poderia ter acesso às informações que nele estavam gravadas com o fogo consumidor da deidade; cerradas para serem pronunciadas somente à criatura, segundo o tempo e o desejo do Senhor dos Senhores. Gabriel era, portanto, a ponte entre o Criador e seu verdadeiro Adorador, o Homem, que, um dia, fora acometido por dores universais, ao perder a imortalidade, quando desobedecera a Deus, pecando e caindo, tenebrosamente, no Jardim do Éden. No papel de um grande mordomo, Gabriel era um servo, que estava acima de quaisquer suspeitas, como fazia nos campos imensuráveis da Eternidade. Mas o anjo pródigo, que era responsável pela manutenção dos segredos de Altíssimo junto aos homens na terra, ao contrário de Lúcifer, que se rebelara frontalmente contra Senhor, ao liderar a rebelião no céu, quando arrastou para a peleja miríades de anjos, também descontentes com o Criador, mantivera-se mergulhado dentro de si, encobrindo o enigma dos enigmas: o ódio avassalador pela Humanidade, motivo suficiente, que o arremessou, inexoravelmente, para a turba dos anjos traidores. Um encorajou-se e proclamou-se supremo acima da deidade e de toda Criação, ao inflamar-se em ciúmes torpes e condenáveis por Deus ter eleito o Homem como a coroa máxima de toda sua obra, antes e depois do imponderável evento, que fora o nascimento da Luz, nos primórdios da Criação. O outro acovardou-se para urdir a trama, em secreto, a fim de descer à terra dos homens para liquidá-los, justamente por ter sido preterido pelo Criador. Gabriel, enfim, retirava sua máscara de representante legítimo das primícias do Bem para sagrar-se como imperador do Mal nos mundos inferiores, onde o perversidade reina soberana, alinhando-se, definitivamente, com a luz em  grande reversão. Lúcifer não estava sozinho nos umbrais famintos das trevas, pois a Humanidade também fora enganada e traída pelo dissimulado Gabriel.

Gabriel: mais um anjo traidor?
Várias são as narrativas que, ao tratarem da infame batalha nos céus, entre os anjos traidores e Deus, em tempos imemoriais, deslindaram a urdidura da impetuosa tarefa, arquitetada por Lúcifer, para destronar Iavé de seu trono, como Senhor e Soberano do Princípio e do Fim, e trouxeram à lume a intrincada rede de intrigas, na qual outros seres angelicais estavam envolvidos, ora ao lado do Senhor, que lutaram bravamente contra a legião luciférica, ora presentes nas duas faces de uma moeda ímpar, em cuja efígie enigmas hediondos revelavam a eterna luta entre o Bem e o Mal. A figura pestilenta de Gabriel está inserida nesse cenário deplorável, pois, ao assumir o posto honrado de ser o curador das mensagens de Deus Pai e tutor da Humanidade, emergindo do fogo essencial, na condição de elo vital, em princípio, entre o sétimo céu - a morada intangível de Deus - e o mundo inferior, a Terra, o planeta, a casa dos humanos, aquele que retém os desígnios do Altíssimo, cujo endereço é a primícia da Criação - o Homem -, o ódio velado corrompeu a essência do arcanjo que deveria proteger a Humanidade, e que, ao invés de executar a vontade do Criador, agiu por si só, de forma egóica, ensimesmada, promovendo, sob o manto funesto da hipocrisia, a separação entre as esferas terrena e espiritual, respectivamente, com o intuito de destruir a raça humana. A despeito da revelação da verdade, que estava soterrada na consciência do pernicioso arcanjo, pauta-se mais uma questão, que atormentava o campo vibracional da luz, no corpo angélico de Gabriel. A saber, portanto: como um ser de tamanha inferioridade e limitado, que é o Homem, pode ter a primazia sobre a única entidade que tem acesso aos planos do Altíssimo, sendo, por isso, o mantenedor da ordem na morada do Pai? Tal paradoxo fez com que Gabriel, para além da incompreensão, na qual se refugiara como um refém de sua própria existência, erodida por sentimentos maléficos, que corromperam a sua essência, avassaladoramente, cultivasse, de forma indiscriminada e obsediante, a ideia mórbida e irreversível, que era a de provocar uma cisão abismal entre Deus e a Humanidade, e, por fim, levar a cabo o seu desejo maior, que seria a destruição de todos os elos existentes e que mantinham unidos e inabaláveis os céus e a terra. Se o seu plano lograsse êxito, Gabriel, um aliado disfarçado, poderia, quiçá, alçar um voo mais altaneiro, ainda, a despeito de sua ira inominável: aniquilar aquele que, numa eternidade cega e distante, o criara - o majestoso Deus. A par disso, portanto, três questões se impõem: seria Gabriel um ser mais maléfico do que o próprio Lúcifer? Estaria, pois, Deus em profundo silêncio? Houvera, nas hordas angélicas, um parricídio? 

A revolta de Gabriel
Os mitos e estórias sobre o assassinato de pais pelos filhos existem desde a antiguidade mais remota de que se tem notícia. O mito da horda primordial é um exemplo memorável, revelando, de forma implacável e contundente, a conspiração medonha dos filhos de um único pai que, para darem um fim à perseguição e repressão deste último, e para o bem de todos, tiveram que assassinar aquele a fim de que o poder central, dominador e destruidor expirasse por toda a terra, e todos os filhos e filhas gozassem, enfim, da liberdade! E, nesse sentido, pode ser factível a ideia de que os filhos de Deus tivessem arquitetado o assombroso plano da conspiração para destronar Iavé de sua Eternidade, destituindo-lhe do lugar monumental de ser O Todo Poderoso; e, por fim, culminando com seu desaparecimento para que uma nova era surgisse após a conclusão dos trabalhos da Criação. O investimento histórico na figura central de Lúcifer como o grande traidor de Deus, e que, apoiado por uma legião infinita de anjos revoltados e em debandada, todos sob o véu do anonimato, envidou todos as suas forças para derrotar o Senhor dos Exércitos, malogrando em seu plano hediondo, pode ser um dos indicativos claros de que a verdadeira narrativa da grande peleja no céu entre Deus e os protagonistas da escuridão fora outra completamente diferente daquela que está plasmada na tradição judaico - cristã, e que se perpetua no imaginário quase eterno de uma humanidade manipulada e entorpecida por verdades, que não resistem à prova de fogo, qualquer que seja a tese erigida e/ou defendida. O empreendimento para conquistar a mais alta morada nos céus, com efeito, não fora somente uma engenharia diabólica, que perpassara por um anjo, serafim, querubim ou arcanjo. Títulos à parte, todos são seres poderosos e eternos, com missões específicas, e que estavam ligados simbioticamente ao Criador na administração e nos governos dos vários mundos criados, além da Terra, nas dimensões possíveis e inimagináveis para a compreensão humana. A nebulosa sobre a guerra no céu esconde um grupo de seres movidos por um objetivo similar: silenciar a voz de Deus por ter eleito a criatura de poderes limitados e pecadora como o elemento mais importante em toda Criação - o Homem - elevando-a, paradoxalmente, acima de todos os anjos. Lúcifer era mais do que um ser das trevas; era, com efeito, a representação do Mal e não apenas um ser de expressão singular, pois muitos agiam como Samael. Gabriel integrara, certamente, esta tropa celestial por ter sido preterido, esquecido pelo Pai, uma vez que era ele o curador dos segredos divinais. Para Gabriel, a traição viera do único habitante dos átrios impenetráveis nos altos céus e não de seu coração enegrecido e corrompido pelo ciúme, inveja e, por fim, pelo ódio fumegante, que sentia ardentemente pela Humanidade.

Gabriel: anjo ou demônio?
Uma das vertentes, que conduz à crença inevitável de que o nome Lúcifer é a representação coletiva do Mal, em sua forma de expressão, o que não invalida a existência do primogênito do do Altíssimo, ancora-se em dois princípios basilares, concernentes à questão que envolve os poderes acima das esferas angelicais - o Trono de Iavé -, e as manifestações singulares abaixo das hordas angélicas - os homens em seu mundo. Quais sejam: a de que, ao ser preterido por Deus e não ocupar a posição cimeira, que julgou que gozaria, na Eternidade que teria, no inenarrável plano da criação, Gabriel não suportara a ideia de ser paradoxalmente o portador do lógos divino, em sua essência fundadora, e que fora, segundo a vontade imutável do Criador, literalmente cambiado por um ser que desconhecia qualquer tipo de linguagem ou conhecimento. Para o arcanjo, o ser de barro era algo informe e frágil, sendo menor em poder e estatura do que os próprios anjos. Eis, portanto, a questão: como poderia uma criatura, de porte inferior e trafegante na zona do silêncio e dos códigos rudimentares, ser escolhida para ser a primícia de um projeto magnífico, que fora a Criação, em todo seu grau de esplendor? A outra via passa pelo ofício delegado por Deus a Gabriel. Se em sua natureza primeva o arcanjo fora o eleito do Senhor para estar, em diversos episódios, todos de suma importância, no plano dos mortais (daí o epíteto, "Homem de Deus") a fim de desempenhar a real função, que era a de ser o mensageiro entre o Pai e seus filhos, pontificando-se como elo vital, conclui-se, a priori, que Gabriel era o mais humano dos anjos ou aquele que mais conhecia a Humanidade em sua intimidade tal qual a que desfrutava com Deus, nas moradas celestiais. Logo, a chama de sua ira velada tivera uma razão mais forte para incendiar a narrativa, que flagrantemente revela a traição ou a tentativa de desferir o golpe impensável contra o Criador, de forma sorrateira e dantesca. Por ser o mais próximo dos homens na terra, para o arcanjo, o plano macabro da separação definitiva entre os seres menores, que eram destituídos de luz, e o senhor da vida e da morte, alcançaria o objetivo planejado em virtude de sua posição no mundo angélico. Gabriel, no entanto, esquecera-se de um componente fundamental em toda sua existência como servo do Deus altíssimo: ele, em sua luminescência infinita, era o Homem de Deus, mas não era o homem de carne e osso, que o Senhor criara do barro, soprando em suas narinas o fôlego necessário para sobreviver e assenhorar-se como a criatura mais importante na terra, e que fora criada para ser o seu filho legítimo.

Gabriel, o duplo
A posição privilegiada de Gabriel na hierarquia angélica, sua relação íntima com Deus e, por conseguinte, com os homens, na terra, o coloca em um patamar incontestável na complexa trama em que os anjos disputam o poder nos céus e empreendem a cisão entre aqueles que decidiram manter a fidelidade e a obediência a Iavé e os demais, que investiram massivamente no enfrentamento e na deposição do Eterno de seu trono majestoso. O capítulo cristalizado pelas estórias arcaicas e míticas denominado a Rebelião dos Anjos é apenas uma das múltiplas passagens por um labirinto infernal e que parece não ter fim, pois se engana quem pensa que a guerra entre as forças de Deus e a legião luciférica terminou; ao contrário, muitos episódios reais trarão à baila os verdadeiros protagonistas desse evento, e Gabriel integra a grande aliança dos descontentes, usufruindo de sua função e poder na terra para alcançar seus intentos maléficos. A diferença entre ele e os outros desertores do serviço divino é que a dubiedade lhe conferiu o trânsito por todas as esferas espirituais e terrenas, e sua capacidade para dissimular desfocou sua imagem na cena da revolta imemorial dos anjos, na mais alta assembleia celestial. Seu irmão ígneo, Lúcifer, declarou impiedosamente seus dissabores e sua verdadeira intenção em relação ao Criador. O caminho escolhido por Gabriel fora singular. Vestiu-se de silêncio e guardou, assim como fazia com os segredos do Pai, o seu sentimento de desagrado, rejeição e, principalmente, seu plano ousado: riscar o Homem da face da Terra e golpear o Altíssimo da forma mais vil: premeditando e levando a cabo o extermínio do Impronunciável. O ódio velado de Gabriel pela Humanidade e também por Deus engendra um questionamento. A saber: um dos anjos mais fulgurantes nas esferas angélicas era realmente dotado de poder suficiente para apagar, para sempre, a chama eterna, que iluminava a Eternidade? O fato é que, além da inteligência insuperável, a serviço de um egocentrismo sem limites, o que também ocorrera com Lúcifer, Gabriel poderia ter sido, ou um traidor coadjuvante, e que, ao lado de Samael (o verdadeiro nome de Lúcifer), o auxiliou no planejamento e na deflagração da inominável guerra nos céus, ou preferira construir seu projeto solo, aproveitando-se da derrocada de Lúcifer como vantagem robusta para lograr êxito em seus objetivos ocultos e macabros. O primeiro desejava o trono de Deus a todo custo, para depois aniquilar o Homem do Universo; o segundo desejou primeiro destruir a raça humana para depois conquistar os céus. Um plano fabuloso com duas direções distintas, e movido pelo mais execrável dos sentimentos universais: o cíúme.

A perdição de um anjo
A melancólica estória, que envolve a rede abominável dos anjos traidores, descendentes da luz primordial, e que da vontade consumidora do Altíssimo foram criados, emergindo para forjarem, com sua energia eterna, a vastidão inimaginável dos mundos, universos e dimensões do Infinito, se arrasta nos descaminhos das trevas, que invadiram e corromperam o brilho desses seres implacáveis, que se distanciaram das leis do equilíbrio, da harmonia, da paz, do amor, da servidão e da equidade. A face angelical sucumbira ante à cegueira incontrolável, que emergiu da vaidade e do egoísmo para guiar, nos tentáculos do abismo, os seres de luz em decadência irreversível. Se do Nada a Luz espargiu, invadiu e deu forma e cor às inteligências presentes em todas as esferas cognoscentes por Deus, as Trevas, um dia, reverteram o jogo e degeneraram a luminescência, que, opaca, transitou nas vagas da dor e do sofrimento para descambar no vazio - dimensão infernal, onde o vácuo impede que o fogo sobreviva, asfixiando e apagando todas as possibilidades do lúmen. Esse é o trajeto pavoroso de todos os seres que se corromperam e ainda continuam a fazê-lo na senda do mistério. Entre os céus e a terra, um véu denso cai sobre a verdade, que reina absoluta, acima da visão e da compreensão humanas, e daquela que há de vir, pois as asas de miríades de anjos batem e rebatem, produzindo faíscas, incendiando corpos etéreos e prolongando uma batalha de invencíveis(?). Gabriel, o bom arcanjo, que, um dia, servira fielmente a Deus a favor da Humanidade, e que demonstrou o real sentido do que é ser um autêntico mordomo, desviou de seus caminhos originários para se transformar no arauto de sua própria verdade. Ardendo em inveja, Gabriel intentou contra a Suprema Inteligência, que desapareceu, misteriosamente, da vista dos mortais e da onisciência dos anjos. O mundo está abandonado e a escalada da violência entre os humanos, na qual as transgressões, as blasfêmias, o descalabro e a destruição de todos os valores, que, um dia, foram semeados pelo amor divino, parece denotar a vitória do mais humano dos seres de luz e daquele que estava mais próximo de Deus. Entregue à própria sorte e enlameado com os pecados mais vis, a perdição tornou-se o lar dos filhos do Altíssimo para a fortuna dos aspirantes ao trono da deidade. É tempo de pranto na Terra e da ascensão das hostes angelicais. As legiões escurecidas controlam o Cosmo e o plano para controlar todas as esferas, visíveis e não - visíveis está em pleno curso. Diante de tal constatação um questionamento se faz necessário: Deus está morto?   

Gabriel em fuga
Se o Eterno não estiver morto e se, do sono profundo, um dia, despertar, a sua voz tremenda ecoará até os termos do Abismo; e as primeiras palavras, que serão cuspidas de seus lábios consumidores, inquirirão inexoravelmente: GABRIEL, ONDE ESTÁS?

sábado, 1 de setembro de 2012

MIGUEL, O PRÍNCIPE DOS EXÉRCITOS CELESTIAIS!


A história da Criação, com todos os seus desdobramentos, até à consumação dos séculos, que ainda está por vir, não teria sentido sem a aparição, em refulgente glória, do mais vultoso ser de luz em toda a cadeia angélica, da qual surgiram os Serafins, os Querubins, os Tronos as Dominações, as Potestades, as Virtudes, os Principados, os Arcanjos e os Anjos, na densidade espiritual da augusta morada de Elohim: Miguel, "Aquele que é como Deus?" ; o líder insuperável das hostes angelicais; o príncipe dos exércitos do Altíssimo; o guerreiro - mor entre os arcanjos poderosos, e a própria realeza em luminosidade colossal a ser gerado pela vontade suprema do El-Shadday.


Envolto no mistério que emana da própria divindade suprema, Miguel é uma entidade fundacional, pois, ao lado de Deus - O Todo Poderoso - coadjuva aquele, que é chamado de Alfa e Ômega na formação de todos os mundos, constituindo-se, por este turno, na testemunha singular de todos os atos de Iavé, desde a proclamação, nas alturas, da criação do Universo, através da ordem primeva dada à Luz, até às dimensões inferiores, onde o poder do Criador estremece os abismos e os vãos eternos da escuridão personificada em trevas abissais. Miguel é a grande baliza do Altíssimo, príncipe dos arcanjos e a essência etérea a liderar os 9 coros de anjos. Dentre os 7 arcanjos, que auxiliam Deus na execução do projeto da Criação bem como o seu acompanhamento e manutenção, Miguel constitui-se na figura central e exerce, no circuito das esferas angélicas, um protagonismo ímpar conferido pelo Altíssimo para o desempenho das grandes tarefas, que compreendem todos os níveis da existência, quer sejam no plano espiritual, quer sejam no plano material.



Virtuoso em sua natureza luminescente, Miguel possui características singulares, que o elevam acima de todos os arcanjos na linhagem magnífica dos seres angélicos. Sua posição de liderança diante do exército de anjos, conferindo-lhe a condição prima e inigualável, o torna, desse modo, a força imbatível, que está à frente do trono de Deus, guardando-o e protegendo-o contra qualquer ataque vil, que possa ser deflagrado nas mais altas esferas divinais. Miguel, o comandante, é, portanto, o guerreiro que não hesita em defender o planalto santificado da deidade, que repousa eternamente em paz e em santidade intocáveis. Cabe a Miguel a permanente vigília dos elementos ígneos, que compõem e integram a morada do Altíssimo, em sua intangibilidade. A saber: o Livro da Vida e o Plano da Salvação - dois sustentáculos do Inefável ao qual ninguém tivera acesso. Assim, mergulhado em um silêncio, que remonta à pré-existência dos seres e das coisas; do universo e dos mundos; das almas e do verbo, Miguel é, com efeito, a segunda visão de Deus, e que, na qualidade de arcanjo fiel, valoroso, leal e, sobretudo, servo, sempre fora a sentinela viva e soberana sobre todas as entidades que circundavam, glorificavam e adoravam o Senhor, em seu esplendor e majestade. A visão ubíqua do arcanjo guerreiro em relação aos eventos que precederam a criação dos Mundos, do Tempo, do Homem, da Vida e da Morte, ratificava o posto de príncipe dos seres de luz na hierarquia outorgada pela inteligência suprema de Deus, e a garantia de que a ordem nos céus seria mantida ininterruptamente.



O espaço no qual Miguel está, e nas esferas pelas quais o poderoso arcanjo transita, denuncia, para além das ortodoxias, o seu traço majestoso e sua origem enigmática dentre todos as entidades etéreas, e que estão a serviço do Altíssimo. O traço marcante e emblemático da  natureza deste arcanjo, de qualidades múltiplas e de poderes ilimitados, é o de se impor sobre as hordas angélicas, ainda que delas o príncipe das milícias celestiais tivesse emergido, o que, per si, denota, de forma incontestável, a singularidade de sua postura igualitária perante os demais anjos, que compõem as miríades infinitas a sobrevoarem os céus e a terra. Miguel é, desse modo, um ser de luz que, à semelhança do supremo Elohim, é dotado do mais profundo senso de justiça e retidão, características necessárias e absolutas para uma entidade que ocupa a posição de chefe dos exércitos e primaz de todos os anjos e arcanjos no rastro infinito da Criação, execute, com destreza e infalibilidade, as tarefas que o Todo Poderoso Deus sempre lhe delegou. Outrossim, o fato de Miguel ter sido alçado ao patamar de guardião dos símbolos sagrados, intangíveis por todas as inteligências etéreas, comprova a tese de que a obediência ao Eterno e a sua fidelidade inabalável àquele transformaram-no no elo de fogo inconsumível entre Deus, seu Pai, os anjos, seus irmãos, e, tardiamente, os mortais, representados, inequivocamente, pela criação do Homem, que, por sua vez, tornara-se a personagem principal na intrincada estória, que compreende os mundos superiores e os mundos inferiores; do barro que recebera o fôlego da vida, e que se corrompera com o evento conhecido biblicamente por pecado original, à humanidade dos dias apocalípticos,  que testemunhará, nos ares, a terrífica batalha do Armagedom.



Cúmplice dos atos da majestade divina, que é o próprio Deus, em sua essência infinita e soberana, o silêncio de Miguel é a sua marca distintiva dentre todos os anjos. O príncipe da guarda celestial e o primeiro entre os 7 arcanjos fundacionais fora criado por Deus para o serviço impecável, aliado ao senso profundo de observação de tudo que circundava a esfera da deidade. Ser sentinela permanente e ser temido por todos os seus subordinados significavam o esvaziamento de sua vontade na condição angélica para que ele, com seu corpo escultural, fenomenal; talhado para a guerra, e, sobremaneira, único nas esferas angelicais, fosse um portal, através do qual a Luz de Deus atravessaria a sua silhueta translúcida e resplandeceria, permanentemente, transformando-o na entidade principal, que veiculava a voz do Altíssimo em brados descomunais. Esta condição, única no mundo espiritual, também rendera a Miguel a oposição que sofrera, no embate imemorial, quando o poderoso Lúcifer o enfrentou na hedionda peleja celestial entre os anjos liderados pelo esplendoroso querubim de 12 asas, cuja legião, tão rebelde quanto ele, fora derrotado e expulso das moradas divinais, e aquele que, em essência, é a duplicação de Deus no mundo angélico. O sentido do nome Miguel, em uma interpretação mais vertical, "Aquele que é como Deus?" constitui-se na chave fenomenológica, que revela, indubitavelmente, a posição do príncipe das milícias celestiais na hierarquia angelical. A significação de seu nome, em verdade, é um questionamento contundente e visceral, pois não há, jamais houve e tampouco haverá, seja na terra e nos subterrâneos das trevas densas e prisionais, onde estão os habitantes da escuridão, seja nos céus, em todas as suas gradações de luz, até alcançar a morada de Deus, nenhuma entidade que poderá igualar-se a Jeová. Na ausência de um ser, com o poder, com a força, com a grandeza infinita, e sobejamente imensurável, que são as características da deidade, que são o Fim e o Princípio de Si, na Eternidade, Miguel é este ser, que, no silêncio da própria Luz, rasga o Infinito, portando em seu plexo o fôlego da divindade; a palavra ígnea, que é ordenança viva dos lábios do Criador, e que, ao ser pronunciada, estremece os pilares invisíveis que sustentam tudo e  que são referências para todos; as esferas etéreas, os seres de luz, os mundos, os universos; a luz e as trevas, que se enfrentam voraz e incansavelmente. A luz prodigiosa semeou o surgimento rotundo das trevas, que, paradoxalmente, engendrou nas potestades a disputa pelo poder, a cobiça, a inveja, o ciúme e o ódio; e o que era para ser a unidade transformou-se na divisão. O elo de fogo fora partido para sempre; e ao desferimento das lâminas incandescentes, assistiu-se a batalha entre o Bem e o Mal. Do lado do Criador, o imponente e invencível Miguel; contra O Grande Eu Sou, o magnificente e imbatível Lúcifer.



As duas forças, imperantes e antagônicas, predominavam nos céus e protagonizaram as cenas mais dantescas que o mundo angélico testemunhara: o embate violento e interminável entre Miguel, o destemido guerreiro e protetor dos emblemas sagrados, e Lúcifer, o seu irmão, o mais poderoso e luzidio de todos os anjos. É imperioso, portanto, afirmar que os laços eternos, que unem as duas entidades, dotadas de porte e forças imensuráveis, são indissociáveis por serem  labaredas vivas, que foram geradas por Deus, e, desse modo, jamais poderão ser desfeitos. Há nesta união, a fusão da luz primordial com a energia angélica, que, emanada da deidade, atravessou o Infinito a fim de cumprir a ordem de Iavé na criação dos mundos, na organização das forças cósmicas e no equilíbrio de todas as virtudes. Assim, filhos inegáveis da chama ardente, da qual saíram como línguas de fogo, inteligentes e autônomas, a luz que neles há, com efeito, é o código indecifrável do Criador, que cunhou em seus corpos espirituais a leis da Eternidade e os seus fenômenos intangíveis. Uma união, no plano supra-angelical, que remete à origem da teogonia quando, simbioticamente, o estado puro de energia em expansão formava a essência singular. Tudo era fogo; energia inimaginável em profusão a expelir mares ígneos intensos dos espasmos de Deus, que, de Si, arrancara todos os seus filhos, todos os seus descendentes diretos, todas as inteligências, que, em momento posterior, seriam os desbravadores dos limites dos universos, pautados pela soberana vontade do Altíssimo. Miguel fora, assim, criado, à semelhança de Lúcifer, em cujas estórias há mais verdades veladas do que sentenças luzidias e claras. Sobre a perfeição e a incorruptibilidade do corpo astral, no qual Miguel se expressa como o mais fiel dos arcanjos, há, indubitavelmente, um estigma, que o mantém ligado, permanentemente, à divindade suprema, em toda sua magnitude, mas que, geneticamente, forja a sua conexão com o seu oposto: o corrompido e infiel Lúcifer, que, na luta dos dias intermináveis, maculou a glória excelsa e imponderável de Deus. Miguel, por ser no plano etéreo a personagem ocular, que, em silêncio profundo, vira a Deus como nenhum outro anjo, arcanjo, serafim ou querubim, faceara, também, e sem correr risco de ter sido aniquilado por Aquele, o plano augusto do Criador, ao qual somente o Senhor dos Senhores tinha acesso; e obtivera, para além do conhecimento de todos os segredos da magna divinidade, a confiança e a força necessárias para enfrentar qualquer entidade que ousasse atravessar os limites estabelecidos pelo Eterno, além de intervir na roda do tempo, ao emergir na cena que divisou, para sempre, o mundo espiritual do mundo material; aquele que viria a coroar os sonhos do próprio Deus. A saber: o Homem, a mais perfeita obra da Criação. Um ser substancialmente diferenciado dos anjos, mas que compartilhou com os seres de luz, na essência, a imagem e a semelhança da deidade. Assim, a visão de Miguel é de uma águia de fogo, que ultrapassa os portais do Tempo para proteger não somente os elementos portentosos e dogmáticos da Inteligência Absoluta, colunas sagradas que firmam os átrios celestiais, mas, também, os fundamentos da Criação, em toda sua expressão e extensão, margeados pelo sopro da Eternidade.



Miguel, um arcanjo que irrompe a natureza ígnea por não gozar da proximidade de Deus, em princípio, segundo a hierarquia angélica, paradoxalmente, é o senhor entre todos os arcanjos, que, por conseguinte, devotam-lhe a reverência por sua magnitude ímpar no mundo celestial. O ser de luz, que carrega em seu dorso luminescente a máxima QUEM É COMO DEUS?, aparece triunfante e irrefutavelmente como a própria extensão de Deus, que o eleva, em glória e majestade, como o arcanjo das grandes missões, para além do posto de comandante primeiro no exército celestial, seja nos céus, seja na terra. Quem pode desafiar o poderoso arcanjo, que, em seu profundo silêncio, comunga da verdade inenarrável do Altíssimo? Na extensão da deidade, a dualidade e a unidade se conjugam de forma unicelular e plasmática. Na divisão essencial das naturezas singulares, a de Deus, o supremo pai, que está acima de todas as criaturas, e a do anjo submisso e obediente, a maior virtude que um subordinado de Deus deve ter para atingir  a consagração e a santificação máxima nas hordas angélicas. As qualidades que são torneadas pelo primado da perfeição conferem a Miguel não somente a força de seu nome como o representante mais legítimo e genuíno da vontade do Altíssimo, em toda sua glória e esplendor, mas a transferência de poder contínuo de Iavé, que, envolvido pelo mistério de ser o próprio Deus, não perde a sua energia avassaladora e fundadora de tudo que é, de tudo que foi e de tudo que sempre será. Antes, Iavé, ao conceder o poder ilimitado ao Príncipe dos Arcanjos - Miguel - transforma-o no arauto principal nos altos céus e nos baixos mundos. Miguel proclama, em nome da glória excelsa do Elohim, a paz universal entre os seres angelicais, em suas miríades e esferas luzentes, e os homens e mulheres, na terra, mas, também, declara, sob a autoridade do grande El-Shadday, a guerra, com grande alarido e tremor.


Os domínios do arcanjo Miguel transpõem as fronteiras invisíveis do mundo angélico. Por ser a principal entidade a representar a vontade de Deus, em todos os seus níveis, cabe ao príncipe das milícias celestiais a honrosa missão de proteger a Humanidade contra os ataques vis das legiões comandadas pelo rebelde e medonho Lúcifer. A exuberante luz, que emana das asas deste arcanjo extraordinário, invade as esferas angélicas e atinge a Terra, trazendo a retidão, a equidade e a verdade augusta do Eterno. Assim, Miguel, em sua vestimenta de fogo, portando a espada da justiça e a balança do próprio juízo, lidera seu exército magnífico e revela a todos os seres da Criação as máximas inconfundíveis de Iavé. Deus presentifica-se nas atitudes de Miguel, que o representa de forma impecável. Sua incorruptibilidade diante do Altíssimo é sinônimo de força. Força latente e indispensável para a proteção da Terra, do Homem e da natureza perfeita que Deus criou sob a ordem onipotente do Fiat Lux. Força magistral que, um dia, transbordará o seu corpo diáfano, e que elevará as potências divinas a níveis insuportáveis para o mundo físico e hediondo para o mundo espiritual, pois "Aquele que é como Deus?" e seus paladinos confrontarão, indelevelmente, o maculado Lúcifer e sua dantesca falange, que, decaído, desferirá seus últimos ataques contra Miguel, seus militantes e, sobretudo, Deus, encerrando, definitivamente, o capítulo da grande guerra, que será travada nos céus entre os herdeiros da fidelidade e os descendentes da rebeldia, como está descrito em Apocalipse, o Livro das Revelações. A saber:

7. E houve batalha no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão; e batalhavam o dragão e os seus anjos,

8.  mas não prevaleceram; nem mais o seu lugar se achou nos céus.

9. E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada de Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.
Apocalipse 12 : 7 - 9.


Miguel e seus guerreiros de luz preparam-se para os dias inglórios quando a Graça será dissipada na Terra e o juízo divino consumará o que Deus determinara nos céus, em tempos primevos, e o que os profetas revelaram na Terra à Humanidade, desde que o mundo vestiu-se de trevas, ao desobedecer às ordens do Altíssimo. Tudo, ainda, jaz no maligno, e o Príncipe das Potestades do Ar governa soberano a terra manchada pelo pecado, pela perdição e pela desgraça, aparentemente eternas.


Profecias existem não para serem esquecidas, mas, sim, para serem lembradas, pois, um dia, elas se cumprirão, seja para o Bem ou seja para o Mal.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

LÚCIFER, O PORTADOR DA LUZ - Parte I





Cena 1:
- Eu porto a Luz!
Cena 2:
- Eu sou o mais poderoso dos anjos em toda Criação!
Cena 3:
Eu sou o governante dos mundos!
Cena 4:
- Quem ousa me enfrentar?


Em uma conjunção digna de uma grande epopeia, a mais monumental de todas, antes da criação dos mundos, as possíveis declarações, acima elencadas, com efeito, marcaram, para sempre, o destino das divindades celestiais, e, por conseguinte, das várias humanidades que povoaram a Terra desde o episódio hediondo marcado por uma tentativa de conspiração, quando uma legião de anjos rebelou-se contra Deus, que pairava majestoso sobre o tempo zero.
A voz que proclamara poder, arrogância, emulação e rebeldia fora estridentemente desferida nas mais altas esferas angelicais pelo mais perfeito, altivo e belo de todos os seres: um anjo, da classe exuberante dos querubins - LÚCIFER - o Portador da Luz.



O nome Lúcifer, que é formado pelas palavras latinas Lux, lucem - Luz - e fer, de ferre, o que porta,  aquele que carrega, traz; é o distintivo magno atribuído ao primeiro ser criado depois do próprio Deus, no tecido intangível da Eternidade. Desse modo, evidencia-se, de forma inconteste, a natureza e a figuração desta entidade singular, e que, indubitavelmente, é o mais temível e o mais poderoso de todos os anjos, cuja saga remonta às hordas primordiais, ao Fiat Lux e à soberania indevassável do Altíssimo em sua glória inigualável.


Criado a partir do fogo consumidor de Deus, Lúcifer nasce da labareda que mantinha a deidade refulgente e suspensa no Infinito quando o espírito solitário do Altíssimo movia-se sobre o Nada  antes da fundação dos mundos em essência misteriosa, singular. Saído, portanto, do estado ígneo do próprio Deus, e por vontade suprema de Jeová, Lúcifer é, de forma cabal, o primígeno do Senhor, no plano etéreo, onde as formas, absolutamente diáfanas e espirituais, desconheciam, ainda, a densidade dos universos, dos mundos e dos entes. O querubim mais poderoso das hostes angelicais é filho nascido do estado da glória de Deus, o Todo Poderoso, cuja luz irrompeu em todas as fendas ocultas e dormentes no vasto universo, que acolheu a vida, com todas as suas formas manifestas.



As narrativas sobre Lúcifer estão envoltas em muitos mistérios, pois, apesar das miríades que plasmam as mais altas abóbadas celestiais, este querubim desempenhou papel fundamental ao lado do supremo Deus, que lhe confiou o zelo e a administração dos mundos, todos sob seu governo, então intocável, até à corrupção de si, quando inflamou seu coração com o ciúme dantesco e a cobiça odiosa - fato que, paradoxalmente, torna a estória do mais reluzente dos anjos no grande élan, que entrelaça o mundo superior com o mundo inferior. Céus, Terra e o famigerado Abismo entrecruzam-se e o Homem é, involuntariamente, o elo da discórdia entre o único anjo, que tinha o privilégio e o direito de estar diante do Altíssimo, e o Senhor dos Senhores; o princípio e o fim de todas as coisas - o impronunciável, o sublime, o Eterno e soberano Deus.


Lúcifer é dotado de 12 asas brilhantes, e o porte magistral de seu corpo alado destoa dos demais anjos, o que lhe confere o lugar exemplar, que possuía, no berço da Criação. Testemunha etérea dos atos divinos do Criador, o querubim foi ungido por Deus logo ao ser criado. O fogo consumidor, que o gerou, deu-lhe a maior característica no mundo angélico: a luminescência. É plausível pensar, portanto, que, nos sulcos da Eternidade, o estado de luminosidade, que espargia para além do infinito, mantinha um equilíbrio harmônico presente no trono de Deus e nas esferas espirituais que Dele emanavam - a morada dos anjos. Esta simetria de luz, força e poder, com efeito, era consagrada e perceptível; e, por conseguinte, imbatível pela posição que ocupava o príncipe dos anjos na escala angelical, pois, Lúcifer, era nada mais nada menos que o regente do coro celestial, que se prostrava permanentemente diante do Altíssimo para adorá-Lo em toda sua glória e magnificência.


O fascínio pela estória de Lúcifer e a legenda sedutora em torno deste querubim ungido povoam, atemporalmente, as mentes de todos os mortais, pois, ao contrário de outros seres angelicais, que parecem não possuir uma narrativa própria e distintiva no mundo angélico e na esfera suprema do poderoso Deus, o príncipe das potestades do ar goza, para o bem ou para o mal, de um lugar único na trajetória dos tempos imemoriais. Outrossim, o filho do fogo primordial transformara-se, indiscutivelmente, na personagem nuclear de uma trama inominável, onde todas as entidades celestiais estavam presentes antes da criação do mundo e do Homem, e, protagonizara o desastre apoteótico ocorrido na Eternidade quando, no embate colossal entre sua legião rebelde e os anjos de Elohim, o Senhor dos Exércitos, o seu plano de destronar Deus falhara fragorosamente. Após a derrota memorável, Lúcifer, em queda livre, ao rasgar as esferas angelicais e tombar na terra como estrela cadente, perdera, para sempre, não somente o posto de primeiro ser de luz a governar os céus, o universo e os mundos, imediatamente abaixo do Altíssimo, mas a condição de, um dia, poder retornar majestoso para estar ao lado de Deus, novamente. Anjos não se arrependem, e o fim de todos que estiveram na grande rebelião tem um nome: sheol (o lago de fogo eterno).


Líder da maior revolução sobre a qual diversas legendas míticas são descritas, de forma inconteste, o mais belo dos seres, no plano celeste, é o autor da cena caótica, que testemunhara a ordem máxima de Deus desabar tal qual o seu corpo luminoso; e arrastar juntamente consigo seus anjos malévolos para a Terra, teluricamente tecida e criada pelo Senhor dos Senhores - o  Todo Poderoso. A conjunção imperfeita, orquestrada por Lúcifer e seu exército portentoso - um terço das hostes angelicais -, vaticinou o início do seu próprio fim, atingindo as leis da Criação, que são imutáveis, e determinando a reorganização das forças imperantes no mundo após o evento extraordinário, que fora o Fiat Lux. Nos termos do universo, as trevas densas e insuperáveis; nos limites infindáveis da Luz, a face de Deus, que, implacavelmente, expulsou o segundo ser cósmico a receber o fôlego divino para além do Abismo, em suas zonas dolentes, imperecíveis e eternas.


A aparição de Lúcifer, na cena que antecedeu o princípio de todas as coisas, onde a predisposição anímica estava permanentemente suspensa sobre o nada absoluto, a despeito do episódio da discórdia celestial, provocou a cisão da própria unidade da deidade, que, uníssona e unívoca, reinava soberana ad inifinitum sem testemunhar a turbulência e os ares da traição. A divergência entre as forças monumentais geradas da própria Luz formou a substância da proto-história da humanidade, segredo de Deus e projeto modelar, que desencadeou o nascimento do Abismo - pai universal das trevas postas nos limites do Universo, esfericamente afastado das zonas luminescentes e da presença do Altíssimo. De um lado, o excelso e o inefável, o Alfa e o Ômega, mergulhados no mistério exponencial da essência, pois o Eterno e a Eternidade conjugam-se de modo singular antes, durante e depois. Do outro lado, o temível, o poderoso e o destruidor dos mundos, que, um dia, irradiou nos céus dos céus o esplendor e o ruflar de suas asas ígneas, múltiplas e descomunais. O querubim ungido fora um e o ser movido pela cobiça, desafortunadamente, tornara-se outro. Da unção à escuridão, a trajetória solitária de um anjo.


A estória dos céus, da existência de Deus, da criação de todas as coisas, visíveis e não - visíveis, e, principalmente, do surgimento do Homem, a partir da massa amorfa, que é o barro, só tem sentido real  a  partir do evento colossal, que fora o cisma, a dividir os planos etéreos em mundo superior e mundo inferior. De um lado, a luz fundadora, que é o Senhor dos Senhores - Iavé - e a luz fundada, que é Lúcifer, o segundo ser na linhagem divina das entidades eternas. Assim, desde o início dos tempos quando a geração pré-adâmica, que assistira ao confronto das forças primevas, no berço da eternidade, também testemunhara a obra prima de Deus, o Homem, sua efêmera perfeição, e, por conseguinte, sua queda através do fatídico advento do pecado. O plano da criação, neste sentido, estivera condenado ao fracasso, pois os pilares augustos do Eterno ainda tremiam por causa da cobiça, da soberba, do ciúme, do orgulho, da inveja, da ira e da traição. Suportar a ideia da existência de um ser à imagem e semelhança de Deus, indubitavelmente, fora a maior pena que sobrepesou na consciência de um querubim, que viu, na corrupção de si, a sua sentença aniquiladora vaticinada pelo Pai, o Todo Poderoso. Assim, o filho sentiu-se abandonado pelo próprio pai, e a rejeição acendeu a chama caliginosa da destruição em seus atos aterrorizantes.


O Apocalipse não é a revelação da profecia sobre o fim dos tempos quando o dia do juízo reviverá as cenas dantescas, que macularam, em um passado imemorial, a trajetória da Luz, infinitamente eterna e eternamente infinita. Ao contrário: o Apocalipse emergiu na aurora divina quando o mais perfeito dos anjos saiu das entranhas de Deus para coadjuvá-lo na organização e no zelo das dimensões físicas e etéreas espalhadas pelo Universo. A tinta escarlate do Armagedom ainda não expirou e a guerra angélica  parece interminável.


Na consumação dos séculos, o último confronto; no duelo entre o Bem e o Mal, eis a grande questão: quem vencerá?

quarta-feira, 16 de maio de 2012

DESCENDENTES DA LUZ!

Caríssimos leitores e seguidores dos meus blogues:

Em breve, mais uma nova atração na rede! O título do blogue é tão luzidio e cristalino quanto o tema a ser abordado na rede: os Anjos.

Arcanjo Miguel

Ir além da asa é tocar o mundo sensível no qual a LUZ é soberana, magnificente, pujante; e sua mensagem reluzente traduz a potência inesgotável do Sobrenatural.

Arcanjo Gabriel

Na fronteira final, o traço do humano; para além das densas trevas, que estilizam o universo, a luminosidade desses seres - os ANJOS - que testemunharam, ao lado de Deus, a saga dos primórdios, onde o Nada se transformou em fluido eterno a espargir a vida em todos os mundos, os visíveis e os não - visíveis.

Arcanjo Rafael

Corpos etéreos e corpos densos dividem no espaço da Criação a excelsa vontade do Criador.

Arcanjo Metatron

Em tela aberta, anjos e anjonautas!

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